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	<title>Arquivo de Medicina da criança e do adolescente - Multiplica Pequeno Príncipe</title>
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	<description>Expertise em Saúde</description>
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		<title>Alergia alimentar na infância</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Multiplica PP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Sep 2025 14:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multiprofissionais da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[alergia]]></category>
		<category><![CDATA[alergia alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[diagnóstico precoce]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina da criança e do adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[pediatria]]></category>
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					<description><![CDATA[Alergia alimentar em crianças: descubra os principais sinais de alerta, a importância do diagnóstico precoce e opções de tratamento seguro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[		<div data-elementor-type="wp-post" data-elementor-id="23088" class="elementor elementor-23088" data-elementor-post-type="post">
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									<p>As alergias alimentares estão presentes na vida de cerca de 8% das crianças brasileiras menores de 2 anos, afirma levantamento da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Os principais alimentos causadores de alergia alimentar são: leite, ovo, soja, trigo, peixe, frutos do mar, amendoim e castanhas. A predisposição genética e os fatores ambientais podem estar associados ao surgimento destas alergias, e a exposição precoce a alimentos alergênicos pode prevenir o desenvolvimento da alergia alimentar. Os sinais e sintomas variam de acordo com o mecanismo envolvido e podem acometer o sistema gastrintestinal, pele e sistema respiratório.</p><p><span style="color: inherit; font-size: 1.25rem;"> </span></p><h5><b>Alergia x Sistema imunológico</b></h5><p>As alergias alimentares normalmente se desenvolvem porque o sistema imunológico interpreta incorretamente uma proteína alimentar como “estranha ao organismo”. Para cada tipo de alergia alimentar existe um mecanismo específico: mediados por IgE; não mediados por IgE; e mistos. Na reação mediada por IgE os sintomas acontecem pouco tempo após a ingestão, após a liberação de histamina, prostaglandinas, leucotrienos e citocinas pelos mastócitos e basófilos. Já na reação não mediada por IgE, as manifestações são chamadas subagudas ou crônicas, os linfócitos T são tidos como seus mediadores. As reações mistas acontecem a partir de ambas as reações. Essas substâncias iniciam uma cascata de reações que continua a irritar e lesionar os tecidos. Essas reações variam de leve a grave.</p><p>A alergia alimentar pode ser grave e necessitar de atendimento emergencial devido à anafilaxia. No Brasil, um estudo indicou que a alergia alimentar é a segunda causa de anafilaxia. Os principais alimentos causadores de anafilaxia são o leite de vaca e o ovo em bebês e pré-escolares e crustáceos em crianças mais velhas.</p><p>Reações tóxicas são aquelas que não têm relação com a sensibilidade individual e acontecem quando um indivíduo ingere um alimento que possa causar reações adversas, como as toxinas bacterianas presentes em alimentos. Neste caso podem-se prever quais reações possivelmente se manifestaram. Já as reações não tóxicas são aquelas que derivam da suscetibilidade individual, possuem reações inesperadas e são classificadas ainda em não imunomediadas (intolerância alimentar) e imunomediadas (alergia alimentar).</p><p> </p><h5><b>Alergia não é intolerância</b></h5><div><p>Apesar de surgirem após a ingestão de algum alimento, a intolerância alimentar e a alergia alimentar são doenças diferentes, com causas e tratamentos distintos. Ambas podem trazer impactos e desconfortos bastante negativos que, muitas vezes, precisam excluir determinado alimento da rotina.</p><p>A intolerância alimentar é caracterizada pela má digestão de determinados alimentos. O problema é resultado da deficiência ou ausência de enzimas responsáveis pela quebra de moléculas maiores em produtos menores, os quais o organismo é capaz de absorver e aproveitar adequadamente.</p><p>A pessoa com intolerância alimentar absorve parcialmente esses nutrientes, que podem causar sintomas como inchaço abdominal, flatulência e cólicas, podendo ainda causar diarreia. A severidade das manifestações depende da quantidade ingerida de determinado nutriente e da quantidade que cada pessoa pode tolerar. Em muitos casos pode ocorrer somente dor e/ou distensão abdominal, sem diarreia. Os sintomas podem levar de alguns minutos até muitas horas para aparecer, no entanto, apesar de ser incômoda para os pacientes, uma vez reconhecida, pode ser controlada por simples ajustes na dieta.</p><p> </p><h5><b>Condutas</b></h5><p>O diagnóstico precoce é importante para um bom manejo de uma alergia alimentar, uma vez que se busca o bem-estar do paciente. Tendo isso em vista é essencial coletar dados sobre o histórico alimentar, a fim de estabelecer uma relação entre o tempo de ingestão do alimento potencial e aparecimento de sinais e sintomas. </p><p>As manifestações clínicas podem ser muito variadas, uma vez que um determinado alimento nem sempre desencadeia os mesmos sintomas, dependendo do órgão-alvo, dos mecanismos imunológicos envolvidos e da idade do paciente.</p><ul><li>Reações imediatas: anafilaxia, urticária, sintomas respiratórios e vômitos agudos;</li><li>Reações tardias: as manifestações são principalmente gastrointestinais e incluem as doenças eosinofílicas gastrointestinais (nas quais ocorre o aumento do número de eosinófilos nos tecidos), e a enteropatia alérgica (inflamação com atrofia da mucosa intestinal);</li><li>Outros distúrbios adicionais: alterações da motilidade gastrointestinal, que podem se manifestar como cólica, sintomas de doença de refluxo gastroesofágico e constipação intestinal refratária.</li></ul><div> </div><p>Em caso de suspeita de alergia alimentar, as seguintes exames complementares e condutas podem ser realizados:</p><ul><li>Testes cutâneos (prick test);</li><li>Um teste de imunoglobulina (IgE) específico para o alérgeno;</li><li>Dieta de eliminação.</li></ul><p> </p><h5><b>Imunoterapia com alérgenos (dessensibilização)</b></h5><p>Se um alérgeno não puder ser evitado, a imunoterapia de dessensibilização é um processo que tenta ensinar o sistema imunológico da pessoa a não reagir a esse alérgeno. A pessoa recebe doses progressivamente maiores do alérgeno. A primeira dose é tão pequena que mesmo uma pessoa alérgica não reagirá a ela.  Em seguida, a dose é aumentada gradualmente. Cada aumento é tão pequeno que o sistema imunológico ainda assim não reage. A dose é aumentada até que a pessoa não esteja reagindo à mesma quantidade de alérgeno que antes causava sintomas. Entender a alergia em crianças e seus gatilhos é importante, especialmente porque o número vem aumentando gradativamente a cada ano. </p></div>								</div>
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									<p><span style="font-size: 12px;"><b>Referências bibliográficas:</b></span></p>
<p><span style="font-size: 12px;">Texto aprovado pela médica pediatra Carolina Prando, responsável pelo Serviço de Alergia e Imunologia Clínica do Hospital Pequeno Príncipe e pela médica Mariana Malucelli, alergista do Hospital Pequeno Príncipe</span></p><p>Alergias alimentares na infância: sistema imunológico e fatores envolvidos &#8211; Remersson Thaysnan da Silva, Amanda Tavares Pinto Fernandes de Oliveira e Silva, Natália Chagas de Oliveira, Marcos Vinicius Luz de Oliveira, Jean Jeyfison de Souza Mendonça &#8211; Brazilian Journal of Development &#8211; Curitiba, v.6, n.9,p.66324-66342, sep.2020.ISSN 2525-8761&nbsp;</p><p><span style="font-size: 12px;"><a href="https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/16307/13334">https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/16307/13334</a></span></p><p><span style="font-size: 12px;"><a href="https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/doen%C3%A7as-imunol%C3%B3gicas/rea%C3%A7%C3%B5es-al%C3%A9rgicas-e-outras-doen%C3%A7as-relacionadas-%C3%A0-hipersensibilidade/alergia-alimentar">https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/doen%C3%A7as-imunol%C3%B3gicas/rea%C3%A7%C3%B5es-al%C3%A9rgicas-e-outras-doen%C3%A7as-relacionadas-%C3%A0-hipersensibilidade/alergia-alimentar</a></span></p><p><span style="font-size: 12px;"><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/setembro/entenda-as-diferencas-entre-alergia-e-intolerancia-alimentar">https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/setembro/entenda-as-diferencas-entre-alergia-e-intolerancia-alimentar</a></span></p><p><span style="font-size: 12px;"><a href="https://pequenoprincipe.org.br/noticia/alergia-nas-criancas-o-que-pode-causar/">https://pequenoprincipe.org.br/noticia/alergia-nas-criancas-o-que-pode-causar/</a></span></p><p><span style="font-size: 12px;"><a href="https://www.allegra.com/pt-br/entendendo-as-alergias/diferencial-allegra/alergia-em-crianca-quais-os-principais-gatilhos">https://www.allegra.com/pt-br/entendendo-as-alergias/diferencial-allegra/alergia-em-crianca-quais-os-principais-gatilhos</a></span></p>								</div>
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		<title>Febre aguda na pediatria: avaliação e sinais de alerta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Multiplica PP]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jun 2024 13:03:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Emergência pediátrica]]></category>
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					<description><![CDATA[A febre é um sintoma comum em pediatria e motivo frequente de consultas médicas ambulatoriais e em serviços de urgência e emergência. Cerca de 25% das consultas em emergências pediátricas estão relacionadas a febre. Embora na maioria das vezes seja a primeira manifestação de infecções virais agudas, a presença da febre é temida, pois também [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[		<div data-elementor-type="wp-post" data-elementor-id="18043" class="elementor elementor-18043" data-elementor-post-type="post">
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									<p><span style="text-align: start;">A febre é um sintoma comum em pediatria e motivo frequente de consultas médicas ambulatoriais e em serviços de urgência e emergência. Cerca de 25% das consultas em emergências pediátricas estão relacionadas a febre. Embora na maioria das vezes seja a primeira manifestação de infecções virais agudas, a presença da febre é temida, pois também pode se apresentar como sinal inicial de doenças graves.</span></p>								</div>
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									<p><strong>Febre é um sinal, não uma doença </strong></p><p>O quadro clínico da febre é caracterizado por taquicardia, taquipneia, extremidades frias, ausência de sudorese, sensação de frio e, eventualmente, tremores. Não existe um valor único que possa defini-la, pois a temperatura pode variar de acordo com o local onde é aferida. Além disso, seus valores corporais variam ao longo do dia, sendo os menores durante a madrugada e os maiores ao fim da tarde, com amplitude de variação em lactentes de até 1°C.</p><p>De maneira geral, as seguintes temperaturas podem caracterizar a febre:</p><ul><li>Temperatura retal maior que 38,0-38,3 °C;</li><li>Temperatura oral maior que 37,5-37,8 °C;</li><li>Temperatura axilar maior que 37,2-37,3 °C;</li><li>Temperatura auricular maior que 37,8-38,0 °C.</li></ul><p><br />Convém lembrar que, apesar do quadro infeccioso estar quase sempre associado a febre, em recém-nascidos, especialmente prematuros, a hipotermia também pode ser um sinal de processo infeccioso. Ela ocorre como consequência da vasoconstrição periférica, como resposta do centro termorregulador aos pirógenos exógenos, associada à pouca quantidade de tecido subcutâneo.</p>								</div>
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									<p><strong style="color: var( --e-global-color-text ); font-family: var( --e-global-typography-text-font-family ), Sans-serif;">Manejo da criança febril </strong></p><p>A avaliação da criança febril começa por anamnese detalhada, passa por exame físico completo, destacando-se a presença ou ausência de sintomas e sinais que possam ser utilizados para prever o grau de risco.</p><ul><li>Atenção para frequência cardíaca em batimentos por minuto (bpm):<ul><li>&lt; 12 meses (≥160 bpm);</li><li>12 a 24 meses (≥ 150 bpm);</li><li>2 a 5 anos (≥ 140 bpm).</li></ul></li><li>Frequência respiratória (respirações/minuto):<ul><li>&gt; 50 (6 a 12 meses);</li><li>&gt; 40 para os maiores de 12 meses e, saturação de oxigênio ≤ 95%.</li></ul></li><li>Avaliar o tempo de enchimento capilar, alerta se &gt; 3 segundos.</li><li>Atenção para o grau de hidratação, avaliar mucosas e turgor da pele.<br /><br /></li></ul><p>Importante analisar a criança quanto ao grau de atividade e responsividade aos estímulos.</p><p>Em muitos casos, após toda avaliação clínica, é impossível a identificação do foco febril, esta situação é conhecida como febre sem sinais localizatórios (FSSL): ocorrência de febre com menos de 7 dias de duração em uma criança em que a história clínica e o exame físico não revelaram a causa. A maioria dessas crianças apresenta uma doença infecciosa aguda autolimitada ou está no pródromo de uma doença infecciosa benigna; poucos têm uma infecção bacteriana grave ou potencialmente grave.</p><p>Com o intuito de padronizar a abordagem e diagnóstico precoce das infecções bacterianas graves várias estratégias foram elaboradas para avaliar crianças menores de 3 anos de idade com FSSL, utilizando-se da associação de critérios clínicos e laboratoriais, como exemplo os critérios de Rochester, que procura separar os lactentes de 3 meses de idade em dois grupos: alto e baixo risco para presença de doença bacteriana grave na vigência de FSSL e para os maiores de 3 meses utiliza-se os critérios de Baraff.</p><p>O tratado de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria, propõem um protocolo de atendimento para crianças com FSSL que é baseado no protocolo de Baraff e nos critérios de Rochester, mas com uma intervenção laboratorial menor.</p>								</div>
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									<p><strong>Aplicação de antitérmicos </strong></p><p>A recomendação para uso de antitérmicos em crianças deve ser feita quando a febre está associada a desconforto evidente: choro intenso, irritabilidade, redução da atividade, redução do apetite, distúrbio do sono. Os antitérmicos estão entre os fármacos mais utilizados em crianças febris, com ou sem prescrição médica, e são comumente causa de intoxicações, em geral por erro na administração de dose ou intervalo, ou por interação medicamentosa. Três antitérmicos estão disponíveis no Brasil: <strong>paracetamol, ibuprofeno e dipirona.</strong> Todos são eficazes e seguros quando utilizados dentro de sua faixa terapêutica e de modo isolado.</p><p>Como todos os antitérmicos têm o mesmo mecanismo de ação (inibição da PgE2), não há indicação para se usar a combinação de dois deles, intercalando-os para melhor efeito terapêutico (baixar a temperatura), pois o risco de eventos adversos, com essa prática, multiplica-se sem qualquer melhora nos objetivos almejados.</p><p><strong>Dipirona<br /></strong>Tem ação antitérmica e analgésica, sem efeitos anti-inflamatórios. Entre as reações adversas, urticária e rash cutâneo, anafilaxia, broncoespasmo e agranulocitose, destacamos a hipotensão, muito frequente na rotina pediátrica. Esse sintoma se deve principalmente ao uso incorreto da dose farmacológica da dipirona, preconizada em 10 a 12 mg/kg/dose. Quando analisamos o produto referência para dipirona, vemos que na apresentação gotas, 1 gota contém 25 mg do princípio ativo, portanto, o uso tradicional de 1 gota/kg de peso leva à superdosagem do fármaco.</p><p><strong>Ibuprofeno<br /></strong>É um derivado do ácido propiônico. Assume diferentes indicações e efeitos na dependência das doses administradas. Quando se deseja uma ação antitérmica e/ou analgésica o ibuprofeno deve ser utilizado em doses de 5 a 10 mg/kg/dose, a ação anti-inflamatória será observada ao se administrar o ibuprofeno em doses de 15 a 20 mg/kg.</p><p><strong>Paracetamol<br /></strong>É um derivado do para-aminofenol, com ação analgésica e antitérmica, sem ação anti-inflamatória. Sua dose terapêutica varia de 10 a 15mg/kg/dose, e a dose máxima diária é de 75mg/kg. A dose tóxica é de 120mg/kg em crianças e 6,5g em adultos. O paracetamol em doses elevadas têm sido associado à doença hepática tóxica, ocorrendo fatalidades em 3 a 4% de todos os casos não tratados.</p><p>O que pode ser dito com bastante clareza é que a ação mais importante na diferenciação das crianças com doença grave, das sem doença grave, não é combater a febre, mas avaliar o quadro clínico de sinais e sintomas com um todo. O médico deve estar atento a esta medida e usá-la a favor do manejo do paciente de forma individualizada frente a identificação do foco e do quadro geral.</p><p>O uso de antitérmicos deve ser criterioso, conhecer a referência (controle de qualidade, segurança e eficácia) visto que existem centenas de cópias com variação na entrega da dose correta por gota.</p><p>Intercalar antitérmicos é mito e um erro que pode aumentar o risco de intoxicações.</p><p>Além disso, tanto a temperatura corporal quanto a percepção de febre pelos pais têm sua devida importância para facilitar a avaliação e direcionar o tratamento adequado para cada faixa etária e condição clínica.</p>								</div>
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									<p>Texto aprovado pelo coordenador do Multiplica PP – Dr. Victor Horácio de Souza</p><p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p><p>Sociedade Brasileira de Pediatria. Manejo da Febre Aguda. Depto. Científico de Pediatria Geral e Infectologia. Outubro 2021. Disponível em: <a href="https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/orientacoes-sobre-manejo-da-febre-e-tema-de-novo-documento-cientifico-da-sbp/">https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/orientacoes-sobre-manejo-da-febre-e-tema-de-novo-documento-cientifico-da-sbp/</a></p><p>Recomendações &#8211; Atualização de condutas em pediatria &#8211; Departamentos Científicos SPSP / Gestão 2016-2019 &#8211; Departamento de Pediatria Ambulatorial: Febre não é doença, é um sinal &#8211; Sociedade de Pediatria de São Paulo &#8211; Abril / 2019.</p>								</div>
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		<title>Crises epilépticas no Paciente Pediátrico: O que fazer?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Multiplica PP]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Feb 2024 17:39:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Emergência pediátrica]]></category>
		<category><![CDATA[Emergências pediátricas]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina da criança e do adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[Pronto atendimento]]></category>
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					<description><![CDATA[A convulsão ou crise convulsiva ou melhor, crise epilética, termo mais atual, é o evento neurológico clínico mais frequente nas emergências pediátricas, correspondendo a cerca de 1 a 5% dos atendimentos, excluindo-se o trauma, e a 15% dos atendimentos pré-hospitalares de crianças até 5 anos de idade. Aproximadamente 80% das crises epiléticas terem resolução espontânea [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[		<div data-elementor-type="wp-post" data-elementor-id="15198" class="elementor elementor-15198" data-elementor-post-type="post">
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									<p>A convulsão ou crise convulsiva ou melhor, crise epilética, termo mais atual, é o evento neurológico clínico mais frequente nas emergências pediátricas, correspondendo a cerca de 1 a 5% dos atendimentos, excluindo-se o trauma, e a 15% dos atendimentos pré-hospitalares de crianças até 5 anos de idade. Aproximadamente 80% das crises epiléticas terem resolução espontânea antes mesmo do atendimento hospitalar. No entanto, a duração prolongada aumenta riscos de lesões neurológicas e sistêmicas, podendo causar inclusive, a morte súbita do paciente.</p>								</div>
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									<p><strong>O que é, e conceitos da crise convulsiva</strong></p><p>O termo convulsão ou crise convulsiva relaciona-se a um fenômeno súbito e transitório, de natureza motora, provocada ou espontânea, que pode se associar ou não a crises não convulsivas: sensorial, autonômica ou cognitivas; causada por uma descarga elétrica neuronal anormal, excessiva, síncrona e transitória, podendo incluir estruturas corticais ou subcorticais, generalizada ou focal. Também pode estar associada a doenças infecciosas, neste caso são consideradas crises provocadas.</p><p>Para o correto tratamento e manejo do paciente, é fundamental que o profissional de saúde saiba diferenciar: epilepsia, crise epilética, convulsão e estado de mal epilético (EME).</p>								</div>
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									<p><strong>Crises convulsivas mais atendidas na emergência</strong></p><p><strong>Crise convulsiva febril</strong>: é definida como uma crise associada a temperaturas acima de 38°C, em crianças entre 6 meses e 5 anos, não associada à infecção do sistema nervoso central, nem alteração metabólica e sem história prévia de crise convulsiva afebril. É classificada em simples (generalizada, menos de 15 minutos, sem recorrência em 24 horas) ou complexa (focal, com duração de pelo menos 15 minutos e/ou recorrência em 24 horas, além de déficit neurológico focal).</p><p><strong>Estado de mal epiléptico febril</strong>: apresenta-se como crise febril generalizada ou focal que evolui para generalizada, por mais de 30 minutos. Está mais associada à história familiar de epilepsia e a anormalidades neurológicas.</p><p><strong>Estado de mal epiléptico (EME)</strong>: pode ser considerado convulsivo, quando existem manifestações motoras, ou não convulsivo, quando a manifestação predominante é a alteração do nível de consciência ou de aspectos qualitativos da consciência. Também pode ser classificado como generalizado ou focal.</p>								</div>
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									<p><strong>Manejo inicial e tratamento</strong></p><p>A investigação diagnóstica inicial deve ocorrer paralelamente à abordagem terapêutica, seguida de investigação mais minuciosa conforme os resultados de exames iniciais. A investigação contempla a realização de triagem bioquímica, hematológica, toxicológica e infecciosa, bem como eletroencefalograma (EEG) e exame de neuroimagem (inicialmente tomografia de crânio se exame de ressonância magnética não estiver prontamente disponível). Pacientes com diagnóstico prévio de epilepsia podem necessitar a realização de novos exames (mesmo se já realizados anteriormente) para verificar possíveis sinais de doença em evolução ou diagnóstico alternativo. </p><p>O manejo inicial do paciente com crise convulsiva consiste na garantia das vias aéreas, com posicionamento adequado da cabeça e pescoço (sniff position), aspiração de vias aéreas (se necessário), oferta de oxigênio (via cateter nasal ou máscara), monitorização e garantia de acesso venoso. A estabilização do paciente com crise convulsiva na emergência é uma prioridade. Faz parte da abordagem inicial atentar para a função cardiorrespiratória e para as possíveis complicações das crises ou da sua terapêutica, como hipotensão arterial, arritmias cardíacas e depressão respiratória.  Verificam-se constantemente os sinais vitais e a saturação de oxigênio, além de conferir a glicemia capilar.</p><p>A conduta terapêutica medicamentosa inicial tem o objetivo de interromper a convulsão o mais rápido possível. A primeira classe de fármacos a ser utilizada é a dos benzodiazepínicos, que, são de escolha no tratamento urgente, pois atravessam a barreira hematoencefálica com rapidez por serem lipossolúveis, podem ser utilizados por outras vias além da endovenosa. No caso da persistência das crises, em nosso meio, as opções terapêuticas por via endovenosa, são fenitoína e fenobarbital. Na faixa etária neonatal o fenobarbital é preferível. Quanto às medicações de segunda linha, não se tem um consenso sobre qual o tratamento seria mais eficaz. No entanto, a indisponibilidade da apresentação endovenosa de alguns fármacos no Brasil não permite seu uso no manejo do estado de mal epiléptico, como levetiracetam, lorazepam, entre outros. </p><p>Ainda não existe um consenso universal em relação à investigação e manejo de crianças que se apresentam para atendimento em serviços de emergência com crises convulsivas. A heterogeneidade da semiologia das crises epilépticas na infância, o amplo leque de possibilidades de diagnósticos sindrômicos, e as opções terapêuticas disponíveis em diferentes países podem, ao menos em parte, explicar tais divergências.  As rotinas referentes à investigação inicial e manejo a curto e longo prazo também diferem de acordo com a complexidade do serviço e os recursos na instituição de saúde<strong>. É importante que serviços de emergência pediátricos tenham um protocolo estabelecido a partir de evidências da literatura e adaptada a realidade do serviço</strong>. Com isto, garantem-se melhores taxas de diagnóstico, potencializa-se o manejo do paciente e, sobretudo, otimiza-se o prognóstico.</p>								</div>
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									<p><strong>Sobre o curso</strong></p><p>O curso <strong>Desafios na UPA: Curso Teórico e Prático de Urgências Pediátricas</strong>, do <strong>Multiplica PP</strong>, é uma iniciativa voltada para capacitar médicos que trabalham ou desejam trabalhar nas unidades de pronto atendimento (UPAs), para os desafios específicos relacionados ao atendimento pediátrico. O programa tem como objetivo fornecer conhecimento prático de habilidades clínicas para garantir um atendimento de qualidade às crianças que necessitam da UPA para procedimentos de saúde de complexidade intermediária sem a necessidade de encaminhamento para a atenção hospitalar.</p>								</div>
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									<p>Texto aprovado pela coordenadora do Multiplica PP, dra. Giovana Camargo e pela neuropediatra dra. Marilis Tissot Lara.</p><p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p><p>Pascolat G, Ribas MM, Mançaneira JF, Richlin CH, Costa CG. Manejo de crises convulsivas e epiléticas na sala de emergência. In: Sociedade Brasileira de Pediatria; Simon Junior H, Pascolat G, organizadores. PROEMPED Programa de Atualização em Emergência Pediátrica: Ciclo 1. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2017. p. 107–37. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v. 2). <br /><a href="https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/manejo-de-crises-convulsivas-e-epileticas-na-sala-de-emergencia">https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/manejo-de-crises-convulsivas-e-epileticas-na-sala-de-emergencia</a></p><p>Manual de Emergência Pediátrica do Hospital Criança Conceição – Volume I. Fábio Luís Sechi e Ilóite M. Scheibel. Ministério da Saúde &#8211; Grupo Hospitalar Conceição &#8211; Porto Alegre. Dezembro 2020</p><p><a href="http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=616">http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=616</a></p><p>Abordagem da Crise convulsiva Aguda e Estado de Mal Epiléptico em Crianças &#8211; Erasmo Barbante Casella e Cristina M.F. Mângia &#8211; Jornal de Pediatria  Vol. 75, Supl.2, 1999. <a href="https://www.jped.com.br/pt-pdf-X2255553699028880">https://www.jped.com.br/pt-pdf-X2255553699028880</a></p><p><a href="https://www.ilae.org/files/ilaeGuideline/ClassificationEpilepsies-Scheffer2017-Portugal.pdf">https://www.ilae.org/files/ilaeGuideline/ClassificationEpilepsies-Scheffer2017-Portugal.pdf</a></p><p><a href="https://www.ilae.org/files/ilaeGuideline/OperationalClassification-Fisher2017-Portugal.pdf">https://www.ilae.org/files/ilaeGuideline/OperationalClassification-Fisher2017-Portugal.pdf</a></p><p> </p>								</div>
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		<item>
		<title>Segurança do Paciente em Pediatria</title>
		<link>https://multiplicapp.org.br/seguranca-do-paciente-em-pediatria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Multiplica PP]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Sep 2023 17:41:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina da criança e do adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[Pediatria clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[Desde a publicação em 1999 do livro “Errar é Humano: construindo um sistema de saúde mais seguro” a sociedade de saúde presenciou um incrível aumento na quantidade de publicações científicas, padrões estabelecidos, esforços colaborativos, medidas educativas e esforços focados na segurança do paciente. Apesar de toda esta evolução, a quantidade de erros e danos que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[		<div data-elementor-type="wp-post" data-elementor-id="13435" class="elementor elementor-13435" data-elementor-post-type="post">
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									<p>Desde a publicação em 1999 do livro “Errar é Humano: construindo um sistema de saúde mais seguro” a sociedade de saúde presenciou um incrível aumento na quantidade de publicações científicas, padrões estabelecidos, esforços colaborativos, medidas educativas e esforços focados na segurança do paciente. Apesar de toda esta evolução, a quantidade de erros e danos que ocorrem continuam a ser um grande problema em todo o mundo.</p><p>Não é diferente na pediatria que encontra seus próprios desafios inerentes a esta especialidade. Os pediatras prestam atendimento em um ambiente cada vez mais complexo, o que resulta em múltiplas oportunidades de causar danos não intencionais. A conscientização nacional sobre os riscos à segurança do paciente aumentou desde que o Ministério da Saúde publicou a RDC 36/2013, cujo objetivo foi instituir ações para a promoção da segurança do paciente e a melhoria da qualidade nos serviços de saúde.</p><p>Os profissionais de pediatria devem atuar como defensores das melhores práticas e políticas, com o objetivo de atender aos riscos exclusivos das crianças, identificar e apoiar uma cultura de segurança e liderar esforços para eliminar os danos evitáveis ​​em qualquer ambiente em que os cuidados médicos pediátricos sejam prestados. Neste primeiro documento do Grupo Temáticos de Trabalho da SOBRASP (Segurança do Paciente em Pediatria), forneceremos uma breve reflexão com alguns dados de literatura sobre os principais desafios relacionados à este tema, abordando 3 perspectivas que farão parte das discussões que serão promovidas em nível nacional nos próximos meses: epidemiologia dos incidentes pediátricos, importância da formação da cultura de segurança no âmbito das especialidades pediátricas e o impacto dos fatores humanos na segurança do paciente pediátrico.</p>								</div>
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									<p><strong>Perspectiva da epidemiologia dos incidentes pediátricos</strong></p><p>Erros e danos em pacientes pediátricos diferem de várias maneiras dos erros e danos associados aos adultos. Sem dúvida alguma, o maior risco associado à segurança do paciente pediátrico são os erros de medicação. As crianças correm maior risco de erros de medicação do que os adultos, por exemplo, devido à sua variabilidade de peso, as diversas características de acordo com a sua fase de desenvolvimento (ex: um rápido ganho de peso dos recém-nascidos necessitando de ajustes frequentes de doses), dependência de pais e outros prestadores da saúde, dentre outros. Erros na prescrição, dispensação e administração de medicamentos representam uma importante parte de erros de medicamentos evitáveis em crianças, apesar de sistemas de prescrições eletrônicas. Sistemas de registros eletrônicos em saúde (SRES) são mais frequentemente desenhados para adultos e tem efetividade limitada em diminuir a variedade de erros específicos em pediatria. Muitas vezes os SRES podem até aumentar o número de erros no paciente pediátrico até que eles sejam modificados e customizados para oferecer suporte à decisão.</p><p>Fora os erros de medicações, que sem dúvida nenhuma constituem o maior desafio no mundo pediátrico, outros erros específicos podem acontecer como problemas de identificação, em especial nos recém nascidos pelo uso de nome temporário, dificuldade de adaptação de pulseiras de identificação ao seu tamanho, quedas relacionadas ao fato de bebês dormirem no colo de suas mães, exaustas pelo acompanhamento diário em enfermarias e infecções primárias de corrente sanguínea devido ao grande número de acessos venosos profundos exigidos neste paciente pela dificuldade de se conseguir veias durante todo o período de hospitalização. Fora estes incidentes, que ocorrem especificamente na pediatria, outros também, comuns ao paciente adulto, merecem destaque pelo seu grande número de ocorrência como: problemas de comunicação, extubações acidentais, atrasos ou erros diagnósticos, este último, ainda muito negligenciado no meio médico em praticamente todas as especialidades.</p>								</div>
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									<p><strong>Perspectiva da importância da formação da cultura de segurança no âmbito das especialidades pediátricas</strong></p><p>Além de conhecer a epidemiologia de incidentes em pacientes pediátricos, a consciência e atitudes dos prestadores de cuidados de saúde à segurança do paciente é importante etapa na construção de um sistema mais seguro.</p><p>Especificamente, uma cultura de segurança é fundamental para o paciente pediátrico, enfatizando que a melhoria de sistemas, ao invés de culpabilização de pessoas, é etapa fundamental na construção de um sistema verdadeiramente seguro. Uma cultura desenvolvida nesta sintonia, suporta responder a erros ou quase erros em tempo real, permitindo assim a construção de um sistema que aprenda com seus próprios erros e crie a resiliência necessária para lidar com esta realidade.</p><p>A sociedade como um todo vem exigindo cada vez mais uma maior segurança nos sistemas de saúde. Órgãos federias, estaduais e municipais através de suas agências reguladoras, juntamente com organizações não governamentais como a ONA (Organização Nacional de Acreditação) e SOBRASP (Sociedade Brasileira de Segurança do Paciente) e outras sociedades profissionais na área de saúde (ex: Conselhos de Enfermagem e Conselhos de Farmácia) vêm criando no decorrer dos últimos anos um forte movimento em prol da segurança do paciente como um todo. Neste contexto, é fundamental que a Sociedade Brasileira de Pediatria juntamente com as suas inúmeras subespecialidades, se engajem neste movimento em prol desta causa, permitindo assim uma maior pressão para o desenvolvimento de uma conscientização específica em torno da segurança do paciente pediátrico, onde líderes e membros que atuam nesta área possam entender e agir com base em uma abordagem de sistema.</p>								</div>
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									<p><strong>Perspectiva do impacto dos fatores humanos na segurança do paciente pediátrico</strong></p><p>A cultura de segurança na era pós-moderna (conhecida como a nova era da segurança) tratará das falibilidades, concentrando-se na visão de que pessoas são uma solução a se investir e não um problema a ser controlado (5). Isto trará uma nova perspectiva para a segurança do paciente através do olhar dos fatores humanos, onde a cultura de segurança não se concentrará em erros de pessoas individuais, porque erros dentro de organizações que lidam com processos de alto risco raramente têm sua causa final enraizada no comportamento individual (6). De outra forma, a contribuição dos fatores humanos nos fará enxergar a importância das condições sob as quais as pessoas trabalham, nos auxiliando a construir defesas para evitar erros ou mitigar seus efeitos, entendendo segurança não mais como a ausência de negativos (injúrias e incidentes) que mostram que as coisas vão mal, e sim como a presença de capacidades e competências que fazem as coisas irem bem.</p><p>Nesta perspectiva, organizações de alta confiabilidade reconhecem a variabilidade como uma constante e estão focados em minimizar seus efeitos. Além disto, outra característica que distinguem estas organizações é o seu constante investimento em tentar monitorar o gap entre procedimento e prática. O efeito esperado não é tentar fechar este gap e sim entender o porquê eles existem e abrir caminho para melhorar a segurança através da sensibilização do pessoal local dentro do contexto operacional (5). A base para esse quadro nos cuidados de saúde baseia-se em pesquisas em indústrias de alto risco (por exemplo, aviação, energia nuclear e petroquímica indústrias) que têm significativamente diminuído a incidência de eventos catastróficos.</p><p>Embora a complexidade dos cuidados em saúde apresente dificuldades em criar uma cultura de segurança, a ciência de fatores humanos (com foco em como as pessoas interagem umas com as outras e com o ambiente em que estão inseridos) fornece soluções e princípios que podem dotar os cuidados de saúde a adquirir resiliência para evitar erros e eventos adversos. Sendo assim, a cultura ideal de segurança requer uma cultura organizacional que suporte 3 elementos principais: reporte de incidentes, flexibilidade e a criação de um ambiente de aprendizado contínuo (10).</p><p>Para uma organização ser informada sobre segurança do paciente, é preciso que tenha uma “cultura de reportar incidentes”. Em um ambiente com esta cultura as lideranças coletam, analisam e disseminam dados sobre erros e eventos adversos. Dentro desta cultura, a equipe da linha de frente, em contato com o paciente, tem que estar disposta e capaz de relatar erros e eventos sem medo de represálias. Cruciais para essa cultura são as habilidades da equipe, bem como que pacientes e famílias se comuniquem facilmente, confidencialmente ou anonimamente com setores, grupos ou núcleos de qualidade sem ligações com os grupos com funções disciplinares.</p><p>Uma cultura ideal de segurança conta também com uma &#8220;cultura flexível&#8221; capaz de adaptar-se efetivamente à mudança de demandas. Uma cultura flexível depende de pessoas que aderem constantemente a protocolos e padrões comprovados e escolhe seus líderes com base em experiência. Para o cuidar seguro de pacientes pediátricos, deferência à experiência é mais que essencial e inclui as avaliações de treinamentos específico e habilidades necessárias para prestar cuidados sem deixar de considerar fatores específicos das inúmeras faixas etárias com idades variadas, estados de doença e desenvolvimento de necessidades. Para se construir essa cultura, trabalho multidisciplinar e em equipe é fundamental, além do compartilhamento de valores entre a diversas disciplinas que atendem este paciente pediátrico.</p><p>Finalmente, uma &#8220;cultura de aprendizagem&#8221; promove um ambiente em que os indivíduos têm a competência e vontade de tirar as conclusões corretas com base em informações de segurança e implementam mudanças quando necessário, apoiado por evidências, sempre que disponíveis. Os promotores desta cultura aprendem com erros através de sistemática de análises de causas raiz, compartilhando esse aprendizado em toda a organização, sem esconder os erros.</p><p>Esses três elementos interagem criando um sistema informado que perpetua segurança independente do indivíduo, personalidades ou forças externas e fornecem um conjunto de princípios que promove uma cultura comum de segurança nesse complexo sistema de saúde.</p>								</div>
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									<p><strong>Conclusões</strong></p><p>O campo da segurança do paciente pediátrico amadureceu muito nos últimos anos, contado agora com dados mais robustos sobre a epidemiologia dos erros em crianças, e uma significativa compreensão do conceito e medição de uma cultura de segurança na pediatria. Somente através da incorporação completa da cultura segurança, contando com a importante contribuição dos conceitos transformadores dos fatores humanos, que os riscos de erros e danos sofridos pelas crianças poderão ser reduzidos ainda mais.</p>								</div>
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									<p>Sobre o autor:</p><p><strong>Fábio de Araújo Motta<br /></strong>Vice-diretor de Qualidade e Pesquisa Clínica e coordenador do Programa de Stewardship de Antimicrobianos do Hospital Pequeno Príncipe. Tem experiência nas áreas de qualidade e segurança do paciente e medicina, com ênfase em doenças infecciosas e parasitárias.</p><p>Texto original: <a href="https://www.sobrasp.org.br/news-sobrasp/seguranca-do-paciente-em-pediatria/14/">https://www.sobrasp.org.br/news-sobrasp/seguranca-do-paciente-em-pediatria/14/</a></p>								</div>
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		<title>Condutas do Pronto Atendimento :: Parada Cardiopulmonar (PCR) no Público Pediátrico</title>
		<link>https://multiplicapp.org.br/condutas-do-pronto-atendimento-parada-cardiopulmonar-pcr-no-publico-pediatrico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Multiplica PP]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 19:25:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Emergência pediátrica]]></category>
		<category><![CDATA[Emergências pediátricas]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina da criança e do adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[Pronto atendimento]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao contrário da parada cardiopulmonar em adultos, a maioria das paradas cardiopulmonares em crianças é precedida de falência respiratória, incluindo hipóxia e hipercarbia.&#160; O corpo vai apresentando sinais de agravamento e instabilidade do quadro, até que a deterioração clínica evolua para uma PCR, e o declínio das funções respiratórias é um dos principais sinais apresentados [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[		<div data-elementor-type="wp-post" data-elementor-id="6804" class="elementor elementor-6804" data-elementor-post-type="post">
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									<p>Ao contrário da parada cardiopulmonar em adultos, a maioria das paradas cardiopulmonares em crianças é precedida de falência respiratória, incluindo hipóxia e hipercarbia.  O corpo vai apresentando sinais de agravamento e instabilidade do quadro, até que a deterioração clínica evolua para uma PCR, e o declínio das funções respiratórias é um dos principais sinais apresentados e tem como ritmo, prioritariamente, a assistolia e a atividade elétrica sem pulso. A assistência durante a parada cardiorrespiratória trata-se de uma situação complexa, por ser um episódio crítico, por isso a taxa de sobrevida depende muito do reconhecimento rápido desses sinais e de uma intervenção ágil e qualificada. </p>								</div>
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									<p><strong>Diretrizes da Ressuscitação Cardiopulmonar</strong></p><p>Na década de 1960, o Dr. Peter Safar, um anestesista austríaco que atuava na Universidade de Pittsburgh (EUA), promoveu a divulgação das primeiras orientações para padronizar a ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Esse feito começou a mudar substancialmente a perspectiva de sobrevida das vítimas adultas e pediátricas de parada cardiorrespiratória (PCR). Nesse meio século que passou, inúmeras atualizações das diretrizes da RCP têm ocorrido sob a liderança da <em>American Heart Association</em> (AHA), que passaram a ter uma abrangência e aceitação internacional sempre incorporando avanços de pesquisa clínica e experimental. A <a href="https://cpr.heart.org/-/media/CPR-Files/CPR-Guidelines-Files/Highlights/Hghlghts_2020ECCGuidelines_Portuguese.pdf">última atualização das diretrizes da RCP</a>, foi publicada em 2020, baseados em evidências científicas e coordenada por especialistas na área. Ressalta-se que o diagnóstico da PCR é clínico e não deve haver atraso nas medidas de reanimação.</p>								</div>
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									<p><strong>Monitorização dos sinais de PCR</strong></p><p>Por conta da diferença de etiologia da PCR entre adultos e crianças, o que vale muito é a monitorização, uma vez que o paciente pediátrico que evolui para uma parada cardiorrespiratória começa a apresentar sinais de alerta que indicam deterioração clínica algumas horas antes do evento.</p><p>A maioria dos bebês e crianças que são acometidos pela parada cardiorrespiratória desenvolvem uma lesão cerebral grave por conta da necessidade de oxigenação que uma criança tem. Portanto, nesses casos é mais importante ainda evitar essa intercorrência e a possível sequela neurológica. Porém, a realização da reanimação cardiopulmonar (RCP) convencional (ventilação + compressão) foi associada a uma maior taxa de sobrevida neurológica intacta quando iniciada imediatamente após o evento.</p>								</div>
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									<p><strong>Uso do <em>PEWS</em></strong></p><p>Em um estudo voltado às sugestões para organização e treinamentos ideais para sistemas de resposta rápida na pediatria, evidencia que é preciso que existam padrões para monitoramento de sinais vitais e critérios de chamada ou pontuações de alerta precoce, que podem ser avaliados e acompanhados através do PEWS (<em>Pediatric Early Warning Score).</em></p><p>Escores que detectam precocemente alterações fisiológicas nos pacientes vêm sendo utilizados em larga escala nas práticas hospitalares. São um conjunto de escalas numéricas, as quais quantificam uma associação de parâmetros, a partir da observação do profissional da saúde, apontando quando um parâmetro sai de seus valores de normalidade e as ações necessárias para a estabilização do paciente.</p><p>Os escores levam em consideração características como frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, enchimento capilar, esforço respiratório, saturação de oxigênio e utilização de oxigênio. Esses mecanismos têm como objetivo reduzir o risco de eventos adversos sérios, como parada cardiorrespiratória, entre outros. Entretanto, uma característica do ambiente pediátrico, é que os parâmetros vitais das crianças variam de acordo com a sua faixa etária.</p>								</div>
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																<a href="https://multiplicapp.org.br/produto/condutas-no-pronto-atendimento-pediatrico/" target="_blank">
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									<p>O curso Condutas no Pronto Atendimento Pediátrico, do Multiplica PP<strong>,</strong> foi desenvolvido com o objetivo de aperfeiçoar os conhecimentos elementares de pediatria. Estudos publicados têm observado que grande parte dos encaminhamentos indica falta de conhecimento básico ou de habilidades de exame físico pediátrico.</p><p>No curso, vários casos clínicos ilustram circunstâncias que se apresentam nos consultórios e emergências de pediatria geral, em que o profissional será qualificado a realizar avaliação e condutas iniciais adequadas.</p>								</div>
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									<p>Texto aprovado pelo coordenador do curso Condutas no Pronto Atendimento Pediátrico – dr. Victor Horácio de Souza.</p><p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p><p>CURRENT &#8211; Emergências Pediátricas: Diagnóstico e Tratamento &#8211; C. Keith Stone, Roger L. Humphries, Dorian Drigalla, Maria Stepahn &#8211; 2015</p><p>Diretrizes da Ressuscitação Cardiopulmonar Pediátrica &#8211; 2015 &#8211; Paulo Roberto Antonacci Carvalho, Alexandre Rodrigues Ferreira, Valéria Bezerra da Silva, Luiz Fernando Loch &#8211; Revista do Pediatra On-line &#8211; Ano 2016 &#8211; Volume 6 &#8211; Número 3 <a href="http://residenciapediatrica.com.br/detalhes/251/diretrizes-da-ressuscitacao-cardiopulmonar-pediatrica-2015">http://residenciapediatrica.com.br/detalhes/251/diretrizes-da-ressuscitacao-cardiopulmonar-pediatrica-2015</a></p><p><a href="https://pebmed.com.br/reanimacao-cardiopulmonar-pediatrica-quais-as-atualizacoes-de-2019/">https://pebmed.com.br/reanimacao-cardiopulmonar-pediatrica-quais-as-atualizacoes-de-2019/</a></p><p>Suporte básico de vida em pediatria: evidências científicas &#8211; Cristina Ortiz Sobrinho &#8211; Universidade Federal Fluminense &#8211; Revista de Pediatria SOPERJ – 2017 <a href="http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=1032">http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=1032</a></p><p><a href="https://cpr.heart.org/-/media/CPR-Files/CPR-Guidelines-Files/Highlights/Hghlghts_2020ECCGuidelines_Portuguese.pdf">https://cpr.heart.org/-/media/CPR-Files/CPR-Guidelines-Files/Highlights/Hghlghts_2020ECCGuidelines_Portuguese.pdf</a></p><p>Implantação dos protocolos PEWS e NEWS na unidade de recuperação anestésica &#8211; Cristina Silva Sousa, Andrea Alfaya Acuna &#8211; SÃO PAULO. 2022</p><p>Aplicação da Nota de Transferência e do Pediatric Early Warning Score (PEWS) em um Serviço de Emergência Pediátrica – Sofia Panato Ribeiro – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – 2019. <a href="https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/216304/001119332.pdf?sequence=1">https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/216304/001119332.pdf?sequence=1</a></p><p>Elaboração de Protocolo ao Paciente Pediátrico em Parada Cardiorrespiratória em Hospital Infantil &#8211; Thaysa Grasiely Sousa de Oliveira, Giselle Pereira Rovere, Patrícia de Lemos Negreiros, Regina Cláudia de Oliveira Melo &#8211; Research, Society and Developmen Journal &#8211; v. 11, n. 4, e15411427149, 2022.  <a href="https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/27149/23774">https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/27149/23774</a></p>								</div>
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